Empresas, Pessoas, Stress: apologia pela avaliação e intervenção nos riscos psicossociais.

A importância do trabalhador em relação ao serviço prestado à organização é um aspecto vital para a sustentabilidade e desenvolvimento das Empresas (Guidelli & Bresciani, 2010). Num momento de intensa competitividade laboral, o enfoque no ativo estratégico mais importante da organização pode potenciar a aquisição de vantagem competitiva no mercado, sendo que, para muitas organizações, as diferenças que se possam evidenciar entre elas são totalmente motivadas pelas pessoas que as constituem.

O stress relacionado com a atividade laboral, constitui-se como profunda preocupação para os especialistas que abordam as questões relacionadas com a segurança e saúde no trabalho. Este fenómeno representa um dos maiores desafios no que a monitorização de saúde no local de trabalho diz respeito. Os relatos mais recentes mostram que diversas problemáticas relacionadas com o stress tem um impacto significativo na saúde das pessoas, em organizações e, em última análise, em economias nacionais (EU-OSHA, 2011).

Mais do que falarmos de intervenções puramente fisiológicas ao nível da Medicina do Trabalho, observa-se, num formato crescente, novos riscos associados a fenómenos psicossociais, podendo destacar-se o stress. A monitorização destes fenómenos constitui-se como ponto focal e obrigatório no enquadramento jurídico actual.

Algumas das causas do stress em contexto laboral podem ser explicadas por alguns fatores. São eles: 1) mau ambiente social no local de trabalho que se traduz num desajuste considerável percepcionado pelos colaboradores; 2) Exigências quantitativas representadas pela existência de inúmeras tarefas para realizar dentro de um curto espaço de tempo levando o colaborador a sentir que não é capaz de dar uma resposta adequada; 3) Estrutura da Organização que, em muitos momentos, pode revelar lacunas em processos de supervisão, restrições ao comportamento e desajustada política empresarial; 4) Relação da Empresa e do colaborador com o mundo exterior em que se verificam conflitos frequentes entre as exigências da trabalho, da família e os interesses pessoais.

Algumas são as medidas que as Empresas devem adoptar, sendo que, na base, encontram-se questões estruturais que devem gerar reflexão por parte de quem quer adoptar estratégias que possam ir ao encontro das necessidades dos colaboradores.

De entre as medidas mais discutidas podemos encontrar: a) Formação individual ou de grupo; b) Adequação – Busca pela pessoa certa no departamento certo e c) Apoio específico disponível para todos os colaboradores em situações de conflito.

Pela sua empresa!

Luís da Costa Neves

Consultor para a saúde ocupacional, riscos psicossociais e recursos Humanos – Atlanticare